terça-feira, 26 de maio de 2009

Vai e volta

o que você tem
de repente
justamente
novamente

eu vi
em cima da mesa
um bilhete lacónico
amaciando o fim

agora
você vai voltar
para algum lugar
e não é aqui

e quem sabe
alguém vai chegar
no lugar
que um dia foi teu

e nesse vai e volta
tudo se refaz
tudo se desfaz
é sempre uma primeira vez

Ideal

as palavras
marcaram
ficaram
até agora

é hora
de cair fora
me olha
no depois

e não será
o que se quis
o quanto eu te quis
naquelas palavras

se faz
não diz
me quis
se esconde

não sabe
confunde
o que sente
me trás

para longe
é tão perto
do desejo
ideal ser real

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Se permitir

escrever é sentir
o que se sente
o que não se sente
o que o outro sente

é compartilhar
é entrar
é tocar
é despertar

o que estava escondido
o que não é permitido
o que um dia foi vivido

falar com as palavras
é superar o olhar do outro
é expor a alma
e se entregar a arte

é ter sensibilidade
é deixar fluir
é se permitir

Uma outra visão

quem faz
o que
no quando
sem porque

como se fez
no onde
indo
um labirinto

aonde
tudo mais
se desfaz

um espaço
apertado
habitado
por um estranho

é ilusão
uma outra visão
de quem viveu
na imaginação.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

(silêncio) parte II

o silêncio
pode ser o começo
o silêncio
pode ser o fim

o silêncio
é menor
o silêncio
é maior

o silêncio
pode intimidar
o silêncio
pode ser intimidade

o silêncio
pode ser um não
o silêncio
pode ser um sim

o silêncio
analisa
o silêncio
realiza

o silêncio
prende
a mente
de quem sente

o silêncio
permite conhecer
o que o corpo
tem para dizer

o silêncio
pode ser resposta
para o que não
poderia ser dito

o silêncio
pode ser
um instante
de prazer

o silêncio
não tem dono
o silêncio
é livre

o silêncio
faz parte
do que já
temos em comum

o silêncio
é presente
quando o olhar
fala

o silêncio
abre espaço
para se fazer
acontecer

o silêncio
representa
o que eu não sei
dizer

o silêncio
foi o que ficou
no fim sem fim
em mim