quinta-feira, 13 de maio de 2010

A despedida do amor

Cada palavra pronunciada sem pensar aumentava mais a distância entre olhares;
Cada ausência de gestos, carinhos, sorrisos diminuia gradativamente o desejo;
E o que restou foi o vazio no peito, como se faltasse um pedaço do que fazia pulsar;
E aos poucos a despedida do amor despertou a dor;
A dor meceu ...

Nem mesmo

E nada será
como um dia foi
e tudo ficará
com a saudade
do que passou

nem mesmo o cheiro
do presente é igual
ao passado
envolvente

para onde
foram os desejos
aonde estão
teus beijos

nem mesmo o olhar
está aqui
como um dia foi
sem sair de mim

e o novo vai despertar
e tudo será
como nunca foi

Saboreando Nietzsche

Um trecho que gostei bastante do livro do Nietzsche chamado A Gaia Ciência:

"Agora lhe parece um erro o que outrora você amou como sendo uma única verdade ou probabilidade: você o afasta de si e imagina que sua razão teve aí uma vitória. Mas talvez esse erro, quando você era outro - aliás, você é sempre outro -, lhe fosse tão necessário quanto as suas "verdades" de agora, semelhante a uma pele que escondia e cobria muitas coisas que você ainda não podia ver. Foi sua nova vida que matou para você aquela opinião, não sua razão: você não precisa mais dela, e agora ela de despedaça e a irracionalidade surge de dentro dela como um verme que vem à luz. Quando exercemos a crítica, isso não é algo deliberado e impessoal - é, no mínimo, com muita frequência, uma prova de que em nós há energias vitais que estão crescendo e quebrando uma casca. Negamos e temos de negar, pois algo em nós está querendo viver e se afirmar, algo que talvez ainda não conheçamos, ainda não vejamos."