quarta-feira, 27 de maio de 2009

Serei

a minha busca aponta
por lugares
onde eu nunca estive
a minha saudade
me leva até você

me inventa
para te agradar
e depois me veja
como eu sou

metade sou
metade serei
não mais tarde
talvez ontem

mas, me aproveite hoje
me tenha agora
toda hora
do jeito que tiver

assim serei
assim direi
quem eu sou
no hoje que virei

Versus você

quantos lados você tem
de que lado eu vejo você
quais são os critérios
para entregar o que se quer

será um engano
todo esse cenário
será real esse roteiro
um desejo passageiro

pontos de vista
um outro olhar
novos olhares
apenas miragens

o que passa na sua mente
tenta boicotar a emoção
elabora um discurso
e escolhe um outro rumo

articula
desvirtua o sentido
engole as palavras
e perde para o silêncio

terça-feira, 26 de maio de 2009

Todos os lados

desse lado
o que você vê
desse lado
quem te vê

por onde se vê
o melhor
o pior
de você

às vezes
a melhor saída
é a mentira
na hora da verdade

o que te disseram
o que te fizeram
tanto faz

o que você faz aqui
por que você me olha assim
agora nunca mais

Vai e volta

o que você tem
de repente
justamente
novamente

eu vi
em cima da mesa
um bilhete lacónico
amaciando o fim

agora
você vai voltar
para algum lugar
e não é aqui

e quem sabe
alguém vai chegar
no lugar
que um dia foi teu

e nesse vai e volta
tudo se refaz
tudo se desfaz
é sempre uma primeira vez

Ideal

as palavras
marcaram
ficaram
até agora

é hora
de cair fora
me olha
no depois

e não será
o que se quis
o quanto eu te quis
naquelas palavras

se faz
não diz
me quis
se esconde

não sabe
confunde
o que sente
me trás

para longe
é tão perto
do desejo
ideal ser real

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Se permitir

escrever é sentir
o que se sente
o que não se sente
o que o outro sente

é compartilhar
é entrar
é tocar
é despertar

o que estava escondido
o que não é permitido
o que um dia foi vivido

falar com as palavras
é superar o olhar do outro
é expor a alma
e se entregar a arte

é ter sensibilidade
é deixar fluir
é se permitir

Uma outra visão

quem faz
o que
no quando
sem porque

como se fez
no onde
indo
um labirinto

aonde
tudo mais
se desfaz

um espaço
apertado
habitado
por um estranho

é ilusão
uma outra visão
de quem viveu
na imaginação.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

(silêncio) parte II

o silêncio
pode ser o começo
o silêncio
pode ser o fim

o silêncio
é menor
o silêncio
é maior

o silêncio
pode intimidar
o silêncio
pode ser intimidade

o silêncio
pode ser um não
o silêncio
pode ser um sim

o silêncio
analisa
o silêncio
realiza

o silêncio
prende
a mente
de quem sente

o silêncio
permite conhecer
o que o corpo
tem para dizer

o silêncio
pode ser resposta
para o que não
poderia ser dito

o silêncio
pode ser
um instante
de prazer

o silêncio
não tem dono
o silêncio
é livre

o silêncio
faz parte
do que já
temos em comum

o silêncio
é presente
quando o olhar
fala

o silêncio
abre espaço
para se fazer
acontecer

o silêncio
representa
o que eu não sei
dizer

o silêncio
foi o que ficou
no fim sem fim
em mim

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Nunca mais ontem

não me aprove
mas me prove
e não se importe

hoje
vai ser passado
amanhã
não estarei do seu lado

implore
uma vez mais
e me queria
para o teu prazer

esqueça
apague
e não mexa
me deixa

fica
enquanto estiver
e volte
querendo mais

sinta
nos meus lábios
meu ardente desejo
dizendo

venha
e me tenha
como nunca mais.

Persona

essa é a minha nova cara
para você não ver
essa é a minha cara nova
para eu me esconder de você

um dia desses
você passou por mim
ainda bem
não me reconheceu

a minha cara nova
é para você
não me entender

a minha nova cara
e para você não me ver
passar quando amanhecer

terça-feira, 12 de maio de 2009

(silêncio)

É evidente
que o teu silêncio mente
mesmo assim me distancia
do que me afastou de você

o teu silêncio
sussurra alto e bom som
e me aproxima do vácuo
que a tua distância faz

o teu silêncio
explora e bagunça
meus sentimentos
me faz enxergar no escuro

o ritmo do teu silêncio
não me deixa parar
de pensar
no teu pensar

o teu silêncio
me envolve
e não me deixa esquecer
o que poderia ser.

...mente

Vem
valer
me crer
evidentemente

vai
pode ser
permanecer
espontaneamente

sem
querer saber
entender
claramente

cai
para ver
envolver
suavemente

traí
o teu nascer
deixa ser
livremente


o teu querer
para o meu querer
diariamente.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Inteiros opostos

O jeito particular
do teu pensar
o teu leve respirar
a magia do teu olhar

me fez despertar
o desejo de querer
o que não era presente
perdido em algum lugar

me diz verdades
me diz mentiras
me faz sorrir
me faz chorar

me queira inteira
me queira metade
me deixa teu gosto
teu cheiro, teu desejo

sem meias palavras
sem frases prontas
com teu jeito de ser
com o que você ainda não é

me permita descobrir
o que eu já sei
com teus olhos

me permita ser
o que eu ainda não sou
mas que só você consegue ver

me faça e me desfaça
em cada encontro
do teu corpo com minha alma

me descubra em cada momento
me revele em cada desencontro
me deixe ser sendo
aprendendo com você

me seduz, me conduz
na direção do que ainda
não sabemos mas queremos.